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Blog do Sininho
Girassol Voador





02/01/2008 00:48

ANO NOVO

Há pouco tempo, li um texto do qual Paulo Coelho se apropriou, que, no entanto, é de uma escritora chilena de quem não me recordo o nome e, pra falar a verdade, também não estou certo quanto à nacionalidade dela.

Mas isso não vem ao caso, o que importa é a mensagem do texto, que trata da nossa terrível mania de ficar feliz com "fechar ciclos". O texto desvia do jargão auto-ajuda, mas a leitura pode "ajudar" muito na reflexão sobre o nosso comportamento.

O ano que passou, a faculdade que acabou, o projetou finalizado, tudo isso é motivo de comemoração, dando uma sensação de dever cumprido. De certa forma, é legítimo ficar feliz com conclusões, afinal trata-se da materialização do trabalho que pode ter sido árduo. Só de que outro ângulo, podemos perceber essa alegria com o acabado como algo que Nietzsche aponta como o mal do desejo finalista da civilização. Desse ponto, o que importa é apenas o fim, o produto acabado, nos esquecemos paulatinamente do processo. Isso é, obvimente, uma contradição com a própria condição humana,
pois a vida é fundamentalmente um processo, sendo que o produto acabado da vida é a morte.

Na virada do ano, ouvi vários amigos dando graças a Deus pelo término do ano, comemorando como se coisa melhor não existisse. O fato é muito intrigante, uma vez que o fim parece ser tão bom e então suscita várias perguntas, tais como: Não houve nada de bom no ano que passou?; O que muda de um dia para o outro?; Mais um ano que passou não é mais um ano perto da morte?

Essas e outras questões fizeram parte do meu diálogo interior, passando também para a reflexão sobre outro ponto. Quando um ciclo se encerra, significa que estamos mais próximos da velhice e, claramente, mais distantes da juventude. Mesmo em nosso pensamento ocidental, às vezes reducionista, no qual a juventude impera e o respeito aos velhos é pífio, as pessoas se sentem felizes em ficar mais velhas? Desculpem a ironia, mas estaríamos nós atrás do eufemismo da melhor idade, mesmo sabendo que a velhice não é, nem de longe, a melhor idade?

Acredito que a divisão anual das etapas da vida, ou melhor, o tempo de fechamento dos ciclos em nossa vida é longo bem como intransponível. E essa intransponibilidade é marcada pela incapacidade de poder voltar ao ciclo anterior ou de fazer algo que
pertença a um ciclo, digamos, já fechado. Os "ciclos" não se comunicam. Portanto, é importante olhar o processo, o que está acontecendo, deixar um pouco de lado a crença no fim.

E que venha 2008... rasgando!

enviada por Bruno Lima






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